Um clarão de luz. Uma luz que vem do fundo, negro, atrás
de uma silhueta. Uma luz imensa, intermitente na intensão. Percebe-se uma boca,
um perfil de meio corpo. Mãos escondidas, num reflexo de movimento, apagadas
pelo fundo negro. Um rosto indeciso na face a expor àquela luz, atado no alto,
num fio de cabelo escorrido. Palavras sobre tudo, que já escreveram cartas,
rilhadas por dentes corrigidos, parados, num branco artificial. A cidade
desenha-se a partir do fundo, reclamando pontos de fuga, outras cores. A boca
percebida, por cima do contorno dos edifícios, contornos da sua canção. O ritmo
de queixos caídos, em tiques de expressão. Palmas desprovidas de emoção,
enquanto a cabeça roda à volta por dentro, desenfreada. Os nomes alterados, em
projecções estrábicas de frases incompletas, sobrepostas em camadas. Da
indiferença dos olhos fechados. Um clarão de luz. Uma luz que vem do fundo,
negro, atrás de uma silhueta.
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